Gatos e Ratos

Odair José lança álbum novo.

Brega da geração pós-Jovem Guarda, o goiano de Morrinhos, Odair José não se auto confinou no rendoso nicho. Arrombou os limites do mercado no manifesto profano “O filho de José e Maria”, já em 1977.
 

Descartado pelo sistema vigente (ainda ditatorial), o álbum virou cult e foi recriado pelo próprio autor/cantor no CD/DVD gravado pelo Canal Brasil, em 2014. E à frente da Odajo Produções, ele segue a bordo de um musculoso power trio (ele na voz e guitarra, Junior Freitas, guitarra, baixo, teclados, Caio Mancini, bateria, percussão) no aguçado CD autoral “Gatos e ratos”.
 

Letras simples, papo reto, vocal gutural, ele não economiza farpas, como na ralentada “Trânsito”: “impunidade, uma vergonha/ insanidade pra ver quem ganha/ o carro sem controle atropelou na calçada/ tem um corpo sem vida no chão”.
 

No rock “Moral imoral”, o alvo é outro: “repressão é um conceito atrasado/ um olhar no passado/ uma mente doente que não pode aceitar/ um desejo normal”. Na mesma linha sonora, “Cobrador de impostos” (com Junior Freitas) rasga: “eu cobro aluguel de morador de rua/ agora existe multa pra mulher que fica nua/ sou eu, o cara que você elegeu”.
 

E segue o roteiro, sem papas na língua, em “Carne crua”, “Gatos e ratos”, “A cor do pecado” e nos rolamentos didáticos de “Segredos”:

“Aonde existe medo sempre tem algum segredo/ guardado a sete chaves pra ninguém meter o dedo/ e causar graves conseqüências neste mundo de aparências/ e cheiro de mentira no ar”.

Fonte: https://goo.gl/CrGtlU

 

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